Jornal Letras do Alva   •   Director: Luís António Silva   •   Ano: III

"MESMO QUE VIVA MAIS CEM ANOS, NÃO VOLTO A FUGIR DE CASA NUM INCÊNDIO"

"MESMO QUE VIVA MAIS CEM ANOS, NÃO VOLTO A FUGIR DE CASA NUM INCÊNDIO"

"MESMO QUE VIVA MAIS CEM ANOS, NÃO VOLTO A FUGIR DE CASA NUM INCÊNDIO". Esta é a tese defendida pelos investigadores, ou seja, os investigadores defendem que não se deve abandonar as casas (casas com condições, com placa de cimento) em caso de incêndio e dizem que houve muitas mortes que só aconteceram porque as pessoas fugiram de suas casas com medo e acabaram por morrer no caminho e as suas casas nada sofreram. Por outro lado quem decidir permanecer em casa deve de alguma forma retirar as botijas de gás do interior das habitações., pois houve casas que foram danificadas pelo rebentamento das botijas de gás. Os incêndios florestais ocorridos em 15 de outubro de 2017 foram dos mais graves que se registaram em Portugal. Sete complexos de incêndios que se iniciaram nesse dia vitimaram 51 pessoas, destruíram um vasto património edificado e mais de 200 mil hectares de floresta. O Professor Especialista Domingos Xavier Viegas liderou a equipa de investigação dos incêndios de Outubro de 2017. O Governo Português, através do Ministério da Administração Interna, solicitou à equipa do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais da ADAI (Universidade de Coimbra) a análise destes incêndios, cujos resultados constam de um relatório que foi entregue no final do mês de janeiro de 2019. Hoje decorreu no Polo II da Universidade de Coimbra a apresentação dos resultados aos decisores políticos, autarcas, agentes operacionais, cientistas e cidadãos em geral. NÓS FOMOS LÁ tentar saber um pouco mais sobre o assunto que tanto nos diz respeito. Publicamos em forma de slide as CONCLUSÕES a que chegaram os especialistas. A primeira frente de fogo no Concelho de Seia começou ás 6h03 min no Sabugueiro. Uma segunda frente de fogo iniciou em Sandomil ás 10h26 min. ás 10h40 min o fogo que iniciou em Sandomil já se tinha alastrado e já estava em Folhadosa e Torroselo de onde seguiu para Várzea, Carragozela, Santa Eulália, Travancinha, Sameice, Pereiro, Figueiredo, Tourais, Paranhos... Podemos ver imagens da Progressão Geral dos incêndios que tomaram largas proporções e arderam milhares de hectares. Os especialistas chegaram a várias conclusões as quais publicamos. Ao nível das empresas que arderam as empresas de construção civil foram as que na sua maioria não tinham seguros contra incêndios ou outros riscos. Contudo aquelas poucas que os tinham os seguros não cobriam veículos, ferramentas, maquinaria, etc. Ao nível das empresas não se registaram vitimas mortais, mas a envolvente florestal estava muito próxima das estruturas na maioria dos casos, necessitando de uma melhor gestão. Verificou-se também que o principal processo de ignição das estruturas foi indirectamente por projecção de partículas incandescentes. Apesar dos incêndios terem destruído algumas empresas a maior parte dos trabalhadores continuou a trabalhar. O grupo de especialistas deixa também um conjunto de recomendações ás empresas que passam por exemplo pela implementação de um plano especifico de prevenção e autoprotecção, entre outras que podemos ver no slide. Os incêndios de 15 de Outubro fizeram 51 vitimas mortais as quais aconteceram em 4 tipologias distintas (em casa activo. Em casa passivo, em fuga em viatura, em fuga a pé). Morreram 33 homens e 18 mulheres conforme se pode ver no gráfico. Por fim foram tornadas públicas as conclusões do incêndios de outubro de 2017 as quais vale a pena ler com atenção nos respectivos slides que publicamos. A necessidade de melhorar a comunicação entre as autoridades e a população é uma conclusão. Tem de se preparar as comunidades para resistir ao fogo no caso de não poderem ser retiradas e dar-lhes condições para proteger as casas entre outras medidas de segurança e protecção. No final foi colocado um slide com um testemunho de uma pessoa que sobreviveu aos incêndios de outubro de 2017 e que viu dois familiares morrerem em que diz: "MESMO QUE VIVA MAIS CEM ANOS, NÃO VOLTO A FUGIR DE CASA NUM INCÊNDIO", sendo esta a tese defendida pelos investigadores, ou seja, para os investigadores houve muitas mortes que só aconteceram porque as pessoas fugiram de suas casas. Os mesmos investigadores defendem que as populações não devem ser retiradas das suas aldeias a não ser aquelas pessoas mais vulneráveis e indefesas (idosos, crianças, deficientes). Os investigadores acreditam que os jovens e adultos devem manter-se nas aldeias e ajudarem a combater os incêndios em vez de também serem retirados muitas vezes à força pelas autoridades.