Jornal Letras do Alva   •   Director: Luís António Silva   •   Ano: III

PPD/PSD – Seia – Passado, presente, futuro

PPD/PSD – Seia – Passado, presente, futuro

- Militante na secção de Seia, desde 1985, ano em que nos preparávamos para os 10 anos do Cavaquismo, onde se queira, quer não admitir, o concelho e o país avançaram.

Localmente, a comissão política concelhia, era presidida por Jorge Camelo e o partido nacional, por Cavaco Silva. Foi com estes dois homens ao leme, que entrei para o PPD/PSD.

Outros tempos, outras gentes. Como militante ativo desde esse longínquo ano, altura em que existia a política do cola cartazes, bandeiras na mão, carros de som pelas ruas, comícios ao ar livre, contato com a população no chamado porta a porta, grandes caravanas automóveis, mobilização total de militantes e simpatizantes, foi então a onda laranja a varrer o país, durante muitos anos. Mas apesar de toda esta “onda” no nosso concelho o Partido Social Democrata, “presidiu” aos seus destinos apenas durante 4 anos, num tom “rosa/alaranjado”.

Durante estes mais de 30 anos de militância, o partido em Seia, saiu vitorioso de eleições legislativas, presidenciais e até europeias, mas nas autárquicas, nunca se conseguiu unir, com um projeto forte e ganhador que crie confiança nas pessoas para uma mudança mais do que necessária. A cada 4 anos, surge um novo candidato, que aparece á pressa, nos últimos meses antes do ato eleitoral e volvidos os 4 anos, lá se baralha e volta a dar algo de novo, até com o candidato que melhor resultado eleitoral obteve nos últimos anos, se voltou a cair no mesmo erro e por ambição pessoal também legitima se voltou a baralhar e dar de novo.

Desde que entrei para a política concelhia, já lideraram o partido, Jorge Camelo, Alves Martins, José Canhoto, José Luís Abrantes, Tenreiro Patrocínio, Andrade Ferreira, Pedro Marques, Albano Figueiredo, Isabel Mamede, e atualmente Fabíola Figueiredo.

Nestes cerca de 30 anos, o partido, nunca se conseguiu impor, com um projeto credível que conseguisse mobilizar a sociedade senense a nele acreditar, dando uma verdadeira oportunidade de poder gerir o município, nem que seja durante um mandato. Com esta falta de poder, o partido desuniu-se . Desuniu-se, porque nos militantes, existe uma grande desmotivação e nos simpatizantes um descrédito por quem lidera.

O concelho, tem cada vez menos gente, os mais velhos, “já não estão para se meter nisto” e os mais novos, não se motivam para a politica, por casos locais e nacionais, que fazem desacreditar a causa pública.

O mundo mudou, é certo. Desde o ano em que servi a causa pública, como deputado municipal, Eduardo Brito, liderava o município. O Partido Social Democrata, chegou a ter no mandato seguinte, 3 vereadores na Camara , 12 membros eleitos na Assembleia Municipal e muitas presidências de junta de freguesias, como já foram os baluartes de Paranhos da Beira, Pinhanços, Loriga, Lages, Torroselo, Tourais, etc… ! Hoje, o PPD/PSD, no concelho de Seia, tem eleitos 1 vereador, 5 deputados na Assembleia municipal e 1 junta de freguesia.

As guerras internas entre militantes são sucessivas, cada atitude interna, que se torna pública é o chamado “tiro nos pés”. Existe uma grande arrogância na luta pelo poder interno, que ao transparecer para os eleitores, continua a não lhe criar a confiança necessária. Há 4 anos atrás, deu-se uma tal rutura, que certos militantes de longos anos e com grandes responsabilidades políticas concelhias, andaram de costas voltadas, com a liderança do próprio partido, que cada um seguiu o seu caminho, pensando que seria pelo valor da nossa terra. Surge então o chamado JPNT, que nada mais é, do que os oriundos militantes do Partido Social Democrata Senense, que seguiram o seu caminho o que levou que segundo os estatutos fossem expulsos por integrarem listas contra o próprio partido politico. Esse grupo de 18 ex militantes, em que alguns até ficaram aliviados com o sucedido, fazem hoje falta ao PSD/seia, por se tratarem de bons quadros com grande experiência politica. Nas autárquicas do passado ano, a lista de independentes, e em termos de resultados eleitorais, esteve quase a colar-se à lista oficial do partido, “faltou um bocadinho assim”, mas porque continuam a trabalhar para a formação de listas nas freguesias, daqui a 3 anos a ver vamos ….. !

O PPD/PSD, prepara-se para mais um ato eleitoral interno e até com a questão da data do ato, se continuam a contar espingardas e a trazer assuntos meramente internos para a comunicação social. Pode não ser o melhor dia, mas é um sábado normal, pois nestas coisas nunca se agrada a todos, em qualquer dia que fosse, existem sempre militantes que estão e outros não. Tanto alarido por causa de 29/12, será que daria mais interesse a alguém esticar-se esta data para finais de janeiro, quando na realidade o ato eleitoral até deveria ter sido em Outubro ?

É por estas e por outras que o partido localmente anda como anda, pois cada um está sempre a puxar a brasa á sua sardinha e ou que mais lhe convém.

É tempo de dizer basta, a estas questiúnculas que cada vez afastam mais os militantes da sua militância ativa.

Se assim tudo continuar, o partido, que é um partido de poder, arrisca-se a poder ser a terceira força política concelhia. E em mês, onde se assinalam 38 anos sobre a morte trágica do líder fundador, é tempo de terminar com uma frase sua: “ A política, sem risco é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha”.

Pedro Nuno Silva – militante 11777