Jornal Letras do Alva   •   Director: Luís António Silva   •   Ano: III

Onde está o Primeiro-Ministro quando as coisas correm mal?

Onde está o Primeiro-Ministro quando as coisas correm mal?

No passado mês de novembro completaram-se 3 anos de governação socialista liderada por António Costa.

Creio que neste momento já temos um horizonte aceitável para fazermos balanços. Nunca é excessivo recordar os dois grandes propósitos políticos para o nascimento deste Governo e da chamada “Geringonça”. O primeiro era o de derrubar o anterior Governo de Pedro Passos Coelho. Tal proeza foi conseguida, não por via do voto popular, mas sim por uma inédita comunhão de vontades entre PS, PCP, BE e PEV que ficou conhecida, no léxico político, como “Geringonça”. O segundo propósito estava relacionado com a sobrevivência política de António Costa na liderança do PS.

Após a derrota eleitoral e depois de 4 anos de austeridade do anterior Governo, a única hipótese de António Costa não ser “corrido” da liderança do PS era garantir que chegava ao poder. Assim, amarrou o PCP, BE e PEV ao Governo e qualquer tentativa de o derrubar poderá provocar danos eleitorais imprevisíveis. Por isso, para esquerda o pensamento é: “Tudo, menos o Passos e o PSD!”. A História ensinou-nos que é muito difícil liderar em tempos de adversidade. É fácil gerir algo em tempos de bonança, depois de ultrapassada a tempestade.

Em Portugal, entre 2011 e 2015 houve um Governo de centro direita que governou em tempos muito difíceis e agora há outro que governa num período de menor pressão.

O carácter de um líder é sempre posto à prova quando surgem dificuldades, problemas e adversidades. Na liderança política já se sabe, à partida, que nem tudo é fácil e que dificuldades vão sempre surgir. Contudo, analisando o percurso político do atual Primeiro-Ministro não deixa de ser inacreditável como é que alguém que se diz ser muito “habilidoso” lida tão mal com as dificuldades. Tudo isto não deixa de ser estranho, visto que António Costa fez da política o seu modo de vida e já exerceu importantes funções como a de Presidente da Câmara Municipal de Lisboa e a de Ministro de António Guterres e José Sócrates. Naturalmente, que nestes três anos de governação existiram aspetos positivos, como aliás isso existirá em qualquer governação. No entanto, não posso deixar de notar que nos momentos negativos da governação nunca vi António Costa assumir a sua responsabilidade e a reconhecer, de forma evidente, que algo falhou. Quando as coisas correm mal, nada é com ele.

Vejamos alguns exemplos:

1) nos incêndios de Pedrogão Grande o problema foi a natureza;

2) nos incêndios de Outubro de 2017 que assolaram a nossa região só muito a custo (e talvez contrariado) pediu desculpa;

3) no caso de Tancos a culpa também não era dele, talvez fosse do Ministro da Defesa que, entretanto, se demitiu;

4) no caso de Borba disse que não havia responsabilidade do Estado, portanto não era nada com ele. Neste último caso, é sabido que diversos serviços públicos alertaram para os perigos existentes na estrada que ruiu. Por esta ordem de ideias, se lhe perguntarem se conhece José Sócrates e se alguma vez pertenceu ao seu Governo, provavelmente dirá que nunca o viu na vida.

Quando se governa, aquilo que se espera de um Primeiro-Ministro é que tenha a coragem de dar a cara e de assumir as suas responsabilidades e não de se esconder ou atirar as culpas para os outros.

É em momentos como estes que se vê com clareza a grandeza das lideranças e dos líderes, pois governar com boas notícias qualquer político sabe fazê-lo.

Será que o povo português não sente isto mesmo?

Por: Afonso Leitão (Presidente da JSD-Seia)