Jornal Letras do Alva   •   Director: Luís António Silva   •   Ano: III

ENTREVISTA COM...Afonso Leitão, Presidente reeleito da JSD-Seia

ENTREVISTA COM...Afonso Leitão, Presidente reeleito da JSD-Seia

A um dia de tomar posse como Presidente da JSD-Seia o Jornal Letras do Alva foi ouvir Afonso Leitão falar sobre alguns temas pertinentes sobre o nosso Concelho e as dificuldades e potencialidades que o mesmo encerra. Falámos da relação entre a JSD local e a Comissão Politica do PSD. Falámos da relação entre a JSD local e a Comissão Politica Distrital do PSD. Falámos do Conselho Municipal da Juventude que não reúne há 1 ano. Falámos dos problemas da interioridade e quisemos saber propostas para soluções de os combater. Falámos sobre o que foi feito no primeiro mandato e agora o que espera para o segundo mandato. Agradecemos ao Entrevistado a disponibilidade que demonstrou desde a primeira hora que o contactámos para esta entrevista que agora divulgamos e publicamos no site e posteriormente na edição em formato de papel do jornal Letras do Alva.

 

  • seia2
  • seia1
  • camaraseia

 

1 – Para quem não conhece, quem é Afonso Leitão?

R – Em primeiro lugar quero agradecer ao Jornal Letras do Alva na pessoa do seu diretor, Dr. Luís Silva, o amável convite que me formulou para realizar a presente entrevista. De facto, não é comum a realização de entrevistas a dirigentes das juventudes partidárias e, por isso, um bem-haja pela iniciativa. O Afonso Leitão é um jovem natural de Seia com 28 anos de idade. Sou Advogado de profissão e tirei a licenciatura e o mestrado na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa. Ao nível político, exerço as funções de presidente da JSD de Seia, sou presidente da Mesa do Conselho Distrital da JSD e sou, ainda, Conselheiro Nacional da JSD desde o ano de 2014.

2 – Faça-nos um balanço do seu primeiro mandato enquanto Presidente da JSD de Seia.

R – Faço um balanço positivo e creio que é importante que os leitores conheçam o que fizemos. Olhando para aquilo que era o nosso Manifesto Eleitoral havia quatro grandes objetivos que creio que foram cumpridos. O primeiro era a melhoria da comunicação da JSD, ou seja, era importante que os jovens e a população soubessem o que a JSD pensa sobre as diversas matérias. Fizemo-lo pela dinamização do nosso facebook, a criação de uma newsletter, a maior presença da JSD nos jornais e mais recentemente com a criação de instagram. O segundo objetivo era o de dinamizar a estrutura com mais atividades. Conseguimos com diversas atividades que foram concretizadas como: a realização da tomada de posse onde esteve um vice presidente da JSD Nacional, a realização de um Conselho Distrital da JSD, a organização de uma formação sobre o funcionamento dos órgãos autárquicos, ajudámos a dinamizar um colóquio sobre juventudes partidárias na Escola Secundária, fizemos uma atividade solidária na época do Natal e promovemos uma atividade sobre saúde numa residência de Idosos. O terceiro objetivo era o de ajudar a valorizar o Conselho Municipal da Juventude (CMJ). Da nossa parte tudo fizemos para que isso fosse alcançado através de uma postura construtiva nas reuniões que ocorreram e não se fez mais porque o Sr. Presidente da Câmara não tem convocado esse órgão. O quarto objetivo era o de continuar a aumentar a militância e isso foi também alcançado. Aliás, basta ver que no Congresso Distrital da JSD que teve lugar em Fevereiro deste ano, a concelhia de Seia reforçou o seu número de militantes nos órgãos distritais. Ou seja, o órgão distrital chamado Conselho Distrital (que é um órgão de tipo assembleia onde todas concelhias do distrito estão representadas) é presidido por uma pessoa de Seia, nesse Conselho Distrital existem 3 conselheiros de Seia e na Comissão Política Distrital temos uma militante nossa como vogal. Tudo isso é fruto do trabalho, esforço e empenho da JSD de Seia ao longo de dois anos. Claro que não se faz tudo em dois anos, mas creio que fizemos mudanças importantes e inovamos bastante na forma de fazer política no concelho.

3 – O que espera deste segundo mandato?

R – Espero um segundo mandato de muito trabalho e de continuação de divulgação das nossas ideias e projetos. Numa época em que tanto se critica os políticos e em que existe um afastamento das pessoas em relação à política, nós gostávamos, no fundo, de ajudar a inverter essas tendências. Na política as pessoas não são todas iguais e creio que a JSD tem todas as condições para continuar a ser a voz da juventude e a ser a melhor organização de juventude do concelho. Temos mostrado trabalho, ideias e não deixamos de as apresentar. No fundo, queremos reforçar tudo o que já fizemos e melhorar cada vez mais a forma como fazemos política. É esse o espírito.

4 – No 1.º Conselho Nacional da JSD, onde participou, teve a oportunidade de falar sobre o tema do combate ao despovoamento do interior. Sendo um assunto de elevada importância para a nossa região e em particular para o nosso Concelho o que falta fazer para inverter esta tendência e o que não tem sido feito por quem tem a responsabilidade de o fazer?

R – Em todas as minhas intervenções em órgãos distritais e nacionais da JSD tenho feito sempre referência ao assunto do combate ao despovoamento do chamado “interior”. Aquilo que tenho dito é que a questão da coesão económica e da coesão territorial devem ser verdadeiras causas nacionais e que o poder central tem que deixar, de vez, certos preconceitos de lado e olhar o país como um todo e não resumir o País a Lisboa e Porto. Uma pergunta que faço sempre é: como é possível um país tão pequeno como Portugal ter tantas assimetrias regionais? Por que é que se chegou a esse ponto? As causas do despovoamento já são amplamente conhecidas. As atividades económicas concentram-se maioritariamente no litoral, é aí que as empresas encontram as grandes vantagens e, portanto, atraem a população. Pelo contrário, o interior continua com atividades primárias pouco modernizadas, pouco rentáveis e pouco atrativas. Com as diferenças económicas vêm as sociais, culturais, de educação etc. O que foi feito não basta. Não basta construir IPs ou autoestradas. É preciso que elas se façam rodear de empresas que atraiam investimento. Não basta umas universidades ou politécnicos onde os alunos vêm e voltam, ao contrário do que sucede com os nossos alunos do interior que vão estudar para o litoral e não voltam. Esta é a grande diferença. Então de que serve o ensino superior, para ter mais população durante o ano, mas que não se fixa e não atrai mais nada? O que falta fazer e de quem é a responsabilidade? Em primeiro lugar falta não deixar morrer a agricultura, a criação de gado, pois é preciso modernizá-las, torná-las rentáveis e que daí nasçam indústrias. É preciso recuperar indústrias que já foram o motor de desenvolvimento da região. O têxtil tradicional morreu, mas há novos têxteis. Quer que fale do turismo? Sim, é importante mas sempre em relação com outras atividades. Considero que a nossa região tem condições ímpares para contribuir para uma melhor qualidade de vida. Por outro lado, tenho sempre dito que também é preciso maior cooperação entre municípios para que os nossos territórios tenham maior visibilidade. Se os concelhos, por via designadamente das Comunidades Intermunicipais, chegarem a um Ministério com força e coesão tenho a certeza que os Governos centrais vão olhar para as regiões mais afetadas pelo despovoamento com outros olhos e vão perceber em definitivo que nós temos muito para oferecer e para ajudar a construir um país menos desigual. O que acho mesmo é que é preciso vontade política e capacidade de ação. E tem de ser já, sob pena do problema se agravar.

5 – Falou ainda no mesmo Conselho Nacional da JSD sobre a necessidade de se criarem mais medidas de combate à corrupção. A pergunta que lhe faço é: Nestes novos tempos há novas formas de corrupção? A evolução das sociedades leva também à evolução de novas formas de corrupção, ou, que medidas são essas que falou no Conselho Nacional e se as entidades que o devem fazer estão preparadas para as combater?

R – Nesse Conselho Nacional falei da corrupção porque a nova líder da JSD colocou na agenda política o tema da corrupção e eu estava a fazer algumas considerações sobre as posições da JSD Nacional. Não se tem falado nem discutido as questões da corrupção tanto quanto é necessário e nunca é demais falar sobre a corrupção. A corrupção na política e na relação politica/economia leva-nos a pensar que somos todos iguais e só por isso já vale a pena falar dela. Quando se fala do combate à corrupção estamos a falar da necessidade de criar um clima de confiança ente governantes e governados, entre políticos e eleitores, entre eleitos e eleitores. Se queremos dignificar a política e os partidos temos de ter a consciência que quando exercemos certa função estamos ali porque o povo nos elegeu e porque temos uma obrigação de prosseguir o interesse público e os interesses das populações. Ninguém é obrigado a estar na política. Quem quiser dedicar-se exclusivamente à atividade privada ou comercial, é livre de o fazer. Quem exerce funções públicas não pode estar aí com o intuito de enriquecer ou retirar benefícios ilegítimos. O combate à corrupção por determinado grupo politico pode fazer a diferença na sua credibilidade perante o povo português e sobretudo se agir quer se trate de alguém do seu partido ou de outro partido. Por outro lado, admito que o desânimo é grande porque temos visto antigos políticos que tiveram grandes responsabilidades envolvidos ou indiciados em esquemas de corrupção que mancham a imagem da política. Estou certo que no futuro as coisas vão melhorar, até porque considero que o escrutínio sobre os políticos tenderá a ser cada vez maior.

6 – No dia 2 de Junho a JSD-Seia publicou um Comunicado dizendo que a “Câmara Municipal de Seia não pensa nos jovens”. Quais os motivos que estão subjacentes a esta afirmação?

R – Como disse na segunda pergunta, nós colocámos a questão da valorização do CMJ como um dos grandes objetivos. Em Agosto de 2016 foi criado o CMJ e, desde essa data, o nosso concelho ficou dotado de um relevante e indispensável instrumento de debate, promotor de políticas municipais que beneficiem os jovens. O órgão tem, por isso, uma natureza consultiva e serve para ajudar os órgãos municipais. A Lei dos CMJ estabelece que o órgão tem de reunir ordinariamente quatro vezes por ano, sendo duas das reuniões destinadas à apreciação e emissão de parecer em relação ao plano anual de atividades e ao orçamento do município e outra destinada à apreciação do relatório de atividades e contas do município. Acontece que a última reunião foi no dia 18 de Abril de 2017, ou seja, há mais de um ano atrás. Face a esta situação, a JSD veio publicamente demonstrar o seu descontentamento e protesto pelo facto de o CMJ não reunir há mais de um ano. Há pouco falei do despovoamento do interior e, associado a isso, temos o problema da falta de jovens. É inacreditável verificar que um concelho como o de Seia, que precisa de dinamismo, criação de emprego e de jovens, tem um executivo camarário do PS que está um ano sem ouvir os representantes das organizações de juventude do concelho. Está há um ano sem pedir pareceres, opiniões, sugestões ou críticas. Nada! O CMJ não é um órgão político de combate político puro. O CMJ é um órgão consultivo para as organizações de juventude poderem expressar as suas visões e posições. Por exemplo, poucas pessoas saberão, mas o Regimento Municipal do CMJ consagra, por sugestão da JSD, que se possa realizar o chamado “Plenário Participativo” que, no fundo, é um CMJ aberto à participação de todos os jovens. Em conclusão, a JSD fez esse comunicado porque achamos que os senenses e a juventude senense tinham todo o direito de saber que o Executivo do PS tem desvalorizado e ignorado o órgão consultivo para as questões da juventude. Por estas razões, a JSD vai continuar a luta e não desistirá pela valorização do CMJ. Acho que já percebemos que o PS não gosta do CMJ, nem quer ouvir os jovens. A JSD é o contrário: quer que a juventude se faça ouvir.

7 – O orçamento participativo da Câmara Municipal de Seia do ano passado também foi criticado pela JSD. Afinal o que se passou com o OP de 2017? Resultados falseados? Pouca clareza nas avaliações? O que se passou?

R – A JSD elegeu, não só no mandato anterior, mas também no atual, a questão do empreendedorismo jovem como uma das principais bandeiras políticas. A JSD entende ser urgente implementar medidas de incentivo à fixação de jovens empreendedores no nosso distrito/região, isto é, é necessário que exista um sinal político forte por parte dos responsáveis locais e que exista vontade política séria de criar condições de atração de investimento e de criação de novas empresas. Relativamente ao Orçamento Participativo de 2017 posso, então, esclarecer alguns aspetos. Nesse concurso, apresentei uma proposta denominada “Seia3in – Incubação, Inovação e Internacionalização”. De acordo com as regras do concurso, as propostas tinham de ser apresentadas por pessoas singulares. Apesar da proposta apresentada ter sido feita individualmente, devo dizer que a referida proposta foi discutida em sede de comissão política da JSD de Seia. O objetivo da proposta era o de valorizar e aumentar a competitividade do concelho de Seia, criar novos postos de trabalho, promover a criação de riqueza e ajudar, em geral, a dar um passo decisivo no combate às assimetrias económicas que atualmente se acentuam no nosso país. É do conhecimento geral que se encontra localizado na zona industrial de Seia, à entrada da cidade, um edifício que pertenceu, no passado, à empresa de construção civil Manuel Rodrigues Gouveia (MRG). O referido espaço era, pelo menos na altura, propriedade da Câmara Municipal e encontrava-se ao abandono. Por conseguinte, a proposta apresentada visava dar uma nova vida e dinâmica a esse espaço, o qual seria o local ideal para que qualquer jovem pudesse implementar o seu projeto ligado aos produtos e serviços de base local e ao ensino superior. Esta “casa dos empreendedores” permitiria o acesso de jovens empresários ao espaço de forma gratuita por um período de três anos, lançando e consolidando projetos empresariais de sucesso. Com alguma surpresa, fui confrontado com a informação de que a proposta tendia a ser “não elegível”. Ao analisar o Oficio da Câmara Municipal, não vislumbrei qual ou quais os factos que determinaram tal “tendência”, sendo que a notificação que me foi endereçada era completamente omissa relativamente a essa factualidade. Ainda assim requeri a validação da proposta de modo a ser submetida à votação, mas tal não foi possível. Nesta situação, o problema não é a forma como o Orçamento Participativo estava construído ou pensado. O problema foi político. Isto é, mais uma vez ficou demonstrada a incapacidade política do executivo do PS em criar um plano estratégico para a criação de emprego. Considero que se perdeu uma oportunidade para se fazer algo de diferente e mais dinâmico nas antigas instalações da MRG em benefício dos jovens.

8 – E este ano? Com a mudança de filosofia, pelo menos na forma da votação (por sms), acha que o orçamento participativo tem a ganhar com isso?

R – Não estivemos a par disso.

9 – Olhando para o Orçamento Municipal aprovado para o corrente ano 2018 considera que as verbas para as políticas de natalidade são as suficientes e necessárias?

R – A questão não pode ser assim. O que se tem feito aqui ou noutro concelho não têm sido suficientes e nem as necessárias. Entendo que o que há são apoios sociais, são uma almofada importante para as famílias, mas não serão indutores de aumento da natalidade. Considero que a primeira grande medida é fixar a população jovem, pois que, ainda que possa não aumentar o índice de fecundidade, já aumenta o número de nascimentos porque existem mais mulheres em idade fértil. Talvez seja por aqui que se deva começar. Agora tem que haver medidas que atuem a longo prazo, não vale muito ter uns picos de aumento da natalidade se a tendência se mantem. Gostei do pacote de medidas apresentado pelo líder do PSD, Dr. Rui Rio, no documento “Uma política para a infância”, cito duas: alargamento da licença de maternidade ou paternidade para as 26 semanas, a gratuitidade de creches e infantários públicos a partir dos seis meses de vida, entre outras. Portanto, existem medidas que não podem passar só pelos municípios. O que me parece mais importante, mas ao mesmo tempo difícil, é articular a vida profissional das mães especialmente com as suas funções de mãe e as empresas não têm sido “amigas” dessa circunstância. Seria o melhor começo para uma política natalista. Mais uma vez se demonstra que o PSD nacional é o Partido de vanguarda nas questões da natalidade.

10 – E as verbas do Orçamento Municipal para incentivos para a criação do próprio emprego jovem são as necessárias e suficientes?

R – Atrás já respondi um pouco a isso e tem que haver políticas concertadas entre os partidos e entre o poder nacional e local. O Orçamento Municipal, como toda a gente já sabe, não tem muita margem de manobra. Os gastos com o pessoal e com a dívida levam uma fatia substancial, o que sobra não dá para tudo ou dá para muito pouco.

11 – Considera que o Executivo Municipal deveria ter um departamento apenas e só para tratar dos assuntos dos jovens? Que assuntos poderia um departamento desses tratar?

R – Antes de qualquer departamento municipal, que admito em teoria que possa ser criado, a Câmara deveria preocupar-se em ouvir o CMJ e os representantes das organizações de juventude. Isso é que deveria ser feito em primeiro lugar, pois esses são os contributos mais valiosos que se pode ter. Depois, mais do que um departamento, considero que o Sr. Presidente da Câmara e os Srs. Vereadores do PS poderiam ser muito mais ativos na procura pelo país de investidores e de novas oportunidades. Ou seja, deveriam ser uns verdadeiros embaixadores e empreendedores do concelho junto daqueles que têm possibilidade de investir. De qualquer modo, vou ser muito direto e sincero: o que o concelho precisava mesmo era de virar a página da governação autárquica do PS. Acho que o atual modelo de governação está esgotado porque não tem acrescentado nada de novo. Ano após ano reparo que o concelho não está melhor e isso dá-me a perceção de que quem gere os nossos destinos apenas o faz pensado no imediato, ou seja, no “dia-a-dia” sem qualquer visão estratégica virada para o futuro. Por isso, acho que o problema é estrutural e só com um novo ciclo político no concelho é que vamos mudar. Não tenho dúvidas em afirmar que no dia em que o PSD for poder em Seia as coisas vão ser muito diferentes e melhores. Enquanto o PS estiver no poder estou convicto que as coisas não vão melhorar.

12 – O que temos de bom no nosso Concelho que não esteja a ser bem aproveitado e que pudesse trazer atracção e investimento a Seia?

R – Começamos por ter boas paisagens, que desejamos preservar. De acordo com o que disse há pouco, temos e desejamos continuar a desenvolver bons produtos, ter boas pastagens para ter bom leite para ter bom queijo e bom comércio de produtos da região, produtos certificados e únicos que não possam ser imitados porque a Serra da Estrela não pode ser recriada noutro sítio. Temos património construído, mas talvez pouco explorado. Estamos focados nos percursos na serra, mas porque não percursos das igrejas, dos pelourinhos, dos terreiros, das casas típicas e bonitas do concelho? Temos condições para criar produtos turísticos adequados às nossas potencialidades e ao gosto de quem nos visita, para ter uma oferta turística apelativa e diversificada. Volto a insistir na indústria. Seia desindustrializou pela decadência dos têxteis, mas pode-se reinventar.

13 – Concorda com o actual formato das Festas do Concelho? Sim ou não e porquê?

R – Nem sim, nem não. Posso fazer uma análise: já tivemos basicamente dois modelos: a Fiagris e a atual, mais relacionada com o 15 de agosto e a festa da Senhora da Assunção. Ambas têm os seus benefícios, encantos, impactos positivos e também perdas. Não me lembro bem da Fiagris mas parece-me que seria mais envolvente e alargada às várias atividades do território e ocupando um espaço mais amplo entre o espaço da feira e o parque. Parece-me que, depois das intervenções urbanísticas em estudo, essa solução possa ser a melhor. Quanto à concentração das festas na praça do Municipio - Av. dos Combatentes é interessante para o que tem sido, ou seja, mais uma mostra de artesanato e de restauração associado aos eventos musicais.

14 – O Afonso e os seus companheiros da JSD que estudaram noutras cidades, nesta altura da vossa vida, pensam regressar a Seia para aqui fazerem vida profissional e pessoal? Sim ou não e porquê?

R – Gostaria de voltar e os meus companheiros também penso eu, senão não estaríamos tão interessados na política local. É por isso que, apesar das dificuldades em vir a Seia quase todos os fins de semana para acompanhar a vida política do concelho e do distrito, a verdade é que nos esforçamos por isso. Mas, e consoante as profissões que temos, a principal razão do abandono do interior é a falta de empregos. Tudo o resto vem por arrasto.

15 – O que se espera da tomada de posse do próximo sábado? Fale-nos um pouco sobre o que vai acontecer nessa tarde e onde se vai realizar.

R – Espero que seja um dia memorável, que muita gente sinta vontade em estar lá. Gostaríamos de nos sentir apoiados por aqueles que gostam de política, do PSD, do concelho ou de nós mesmos. Será uma oportunidade para dizermos o que pensamos do estado do concelho e apresentar a visão da JSD para o futuro coletivo do concelho.

16 – Por último. Entende que a actual Comissão Politica Concelhia do PSD está a fazer um bom trabalho? Sim ou não e porquê? E qual o relacionamento que a JSD tem com a actual Comissão Politica e qual o relacionamento que a JSD tem com a Distrital do partido?

R – Não lhe vou dizer sim ou não. Se quer que lhe diga tenho visto poucas publicações do que eventualmente se tenha feito, não sei. Apesar de serem duas estruturas autónomas, a JSD teve sempre a intenção e a expectativa de trabalhar tanto quanto possível com a comissão política do PSD a bem do nosso partido e sobretudo do nosso concelho, do seu desenvolvimento e de modo a podermos sentir que contribuímos de algum modo para a felicidade das pessoas. Mas é verdade que o primeiro mandato não decorreu num ambiente muito propício a esse desiderato. Houve incompreensões, más interpretações e foram feitos juízos de valor que em nada dignificaram o Partido. Na realidade, um objetivo que sempre tive em política e que várias vezes expressei em local próprio, por exemplo nos plenários, era acabar com as “guerrilhas” dentro do partido que a ninguém beneficia e a todos prejudica. O PSD local precisa de uma mudança profunda. Ainda assim, não perdi a esperança de trabalhar em boa harmonia com o PSD e espero que este segundo mandato nos traga esse ambiente. Acho, com muita sinceridade, que é uma pena o PSD local não aproveitar as potencialidades e a qualidade política dos militantes da JSD. Quanto à comissão política distrital do PSD tivemos sempre apoio institucional e o seu presidente, Dr. Carlos Peixoto, sempre nos apoiou e nos incentivou. Aliás, aquando das recentes eleições na JSD, o Dr. Carlos Peixoto felicitou toda a equipa e desejou-nos os maiores sucessos para o futuro. Algo que não aconteceu, por exemplo, da parte da comissão política do PSD.
Afonso na qualidade de Director do Jornal Letras do Alva, desejo-lhe as maiores felicidades para o mandato que agora vai iniciar e agradeço a disponibilidade por responder às nossas questões as quais publicaremos no jornal em versão de papel e no nosso jornal on line.
Luis António Silva 15.06.2018