Jornal Letras do Alva   •   Director: Luís António Silva   •   Ano: III

Ivo Mota Veiga

Ivo Mota Veiga

1 - Nome do artista;
Ivo Mota Veiga

2 - Natural de onde?
Nasci em Luanda, mas desde os meus 6 meses de idade que vivo em Seia, terra onde cresci e vivo até hoje, com muito orgulho.

3 - Há quantos anos te começaste a dedicar à arte?
A minha paixão pela pintura e pelo desenho, começaram quando tinha 12 anos. Recordo-me como se fosse hoje! Nas minhas férias de verão, sentava-me nos passeios da "Vila de Seia" e punha-me a desenhar os automóveis que estavam estacionados! Desenhava de tudo um pouco, consoante as épocas e as alturas! Quando haviam as provas do rally de Portugal Vinho do Porto, desenhava as máquinas que competiam naquela altura. Quando havia um campeonato do Mundo ou da Europa de futebol, desenhava estádios! Fora os desenhos que fazia das séries televisivas e dos heróis da banda desenhada! Inclusive, cheguei a elaborar um desenho, de como poderia ser o nosso estádio municipal num futuro próximo! Foi assim que comecei a minha aventura e a paixão que tenho pelas artes. Já lá vão 30 anos!

4 - Consideras-te um pintor ou um artista plástico?
Considero-me um ser humano que não sei viver sem as duas vertentes! Mas estou mais vocacionado para as artes plásticas.

5 - Consegues fazer da arte vida?
No país e principalmente no meio que resido, é bastante complicado viver da arte. Poderia sim, ser possível, se tivéssemos uma cultura e uma mente mais propícia e atenciosa, no que diz respeito a este tema. As pessoas ainda veem a arte como algo secundário, como uma simples tela pintada que não passa de um mero objecto decorativo para pendurar em uma parede de casa. A sociedade mais depressa investe num simples telemóvel que é produzido às centenas e de forma industrial, já para não falar no valor monetário de um objeto desse tipo, do que num trabalho artístico criado de forma manual, original, obra única no mundo e que na grande maioria das vezes, transmite sentimentos, sensações, emoções e chamadas de atenção pensadas e imaginadas por um artista que leva para a tela aquilo que vai no seu interior!

6 - Tens feito exposições em que zonas do País?
Principalmente no nosso concelho e concelhos vizinhos, visto ser muito complicado elaborar exposições individuais nas grandes cidades. Muitas vezes o expor não tem a ver com a qualidade do trabalho artístico, mas sim com outros conhecimentos e interesses que não são a arte em si e o expor os trabalhos de um artista.

7 - Fazes parte dos artistas senenses. O que pensas sobre a Artis?
A Artis não deixa de ser uma excelente iniciativa e um projeto a manter-se vivo. Entretanto, no que me diz respeito, isto é, nas artes plásticas, prndo que ainda se pode fazer mais e melhor. O número Record de participantes neste evento, não é o mais importante para mim, pois uma grande maioria dos artistas participantes nem sequer são da nossa região ou concelho. O que eu quero dizer com isto é que este festival deveria dar mais enfase com um grande número de trabalhos principalmente dos artistas locais e amadores, e tentarem ser divulgados e ajudados, no sentido dos seus trabalhos poderem ser vistos e mostrados nas grandes cidades, como Lisboa, Porto, etc. Não interessa ter uma Artis só pelo grande número de obras e durante dois meses os quadros estarem simplesmente afixado em uma parede. Tem de haver uma inter ligação e comunicação com galerias, empresas comerciais, hotéis, etc. O Turismo poderia ser um exemplo de elo de ligação com a arte. Hoje em dia, qualquer hotel, qualquer complexo turistico, tem os seus espaços decorados com telas que muitas vezes, são cópias baratas que em qualquer loja asiática estão à venda. Não sei se me fiz entender? Muitos espaços hoteleiros e turisticos poderíam apostar sim em trabalhos originais, únicos e de valor realmente artistico e comercial. Todas as pessoas, como clientes, estão saturadas de entrar em qualquer café, restaurante, pastelaria e afins e debaterem-se sempre com as mesmas imagens na parede, qur são as fotografias da Serra da Estrela. É importante? É! Mad há que inovar, mostrar ao público coisas diferentes e começar a educa-las para este mundo maravilhoso que é o universo das artes.

8 - Achas que faltam apoios da autarquia para os artistas senenses? Quais?
É claro que faltam importantes apoios nesta área. Um artista não pode viver somente pintando quadros para agradar as vistas. Têm de haver formas dos seus trabalhos não serem somente para visualização. ...o meu trabalho artistico, não passa só pela pintura. Também trabalho na área do design, desde logotipos, cartazes, merchandising, etc. E infelizmente até nesta área o "bolo" é sempre pata o mesmo, quando deveria ser divido por todos e darem oportunidade a todos. Muitas vezes, as entidades nem sequer olham para o trabalho de um artista. Se vale a pena ou não. Se tem qualidade ou não. Infelizmente vivemos num país que damos primazia aos amigos, aos familiares e aos favores.

9 - Fazes muitos trabalhos para particulares. Que género de trabalhos mais te encomendam?
99% dos trabalhos que elaboro e comercializo são para particulares. Pessoas comuns da nossa sociedade, que olham para um trabalho meu e acabam por encomendar e comprar. Desde pintura, ao retrato, ao logotipo, ao cartaz, etc. Não fico só pela pintura, pois é impossível viver só disso. E mais não se faz porque, falando de entidades e empresas, as parcerias que eles têm, são sempre com os mesmos.

10 - Como é que os nossos leitores te podem contactar?
Através das minhas página de Facebook, por email ou telemóvel

11 - És um autodidata?
Sim , sou autodidata.

12 - Quantas horas passas por dia em torno dos teus trabalhos?
Os meus trabalhos não têm horário!!:)) Mas todo o dia praticamente é preenchido à volta do meu trabalho. Muitas vezes são 4, 5, 6 horas da madrugada a pintar, ou a elaborar outros trabalhos desde o retrato, o desenho de um logotipo, a elaboração de uma imagem, etc.

13 - Concerteza já ganhaste prémios. Qual ou quais os que te mais marcaram e porquê?
Como sabem, não gosto muito fe me exibir com prêmios e menções honrosas! Mas sim, tenho coisas importantes no meu currículo da qual me sinto orgulhoso e feliz, das quais posso mencionar as mais relevantes: 1°prêmio no concurso de banda desenhada da Escola Profissional da Serra da Estrela (1995). 3° prêmio no concurso do Brasão para a Freguesia de Seia (1995). 3°prêmio no concurso de elaboração de Vestidos de Chita da Escola Profissional da Serra da Estrela (1997). - Distinção pública pelo mérito escolar obtido como estudante da EPSE (1996/97). - Menção honrosa no Góis Arte (1999). -Homenagem de mérito no panorama das artes plásticas -ARTIS (2014) - Titulo de Embaixador da Escola Profissional da Serra da Estrela como representante do curso de Design Industrial (2017).

14 - Vais fazer um trabalho para esta edição do jornal. O que escolheste pintar e porquê?
Luís Amigo....esta fica para ti

15 - O que dirias sobre os artistas senenses em geral aos nossos leitores?
Que temos excelentes artistas em todo o Conselho de Seia. Que precisam de ser mais promovidos, mais valorizados. Com a respetiva ajuda e interesse da comunidade e das entidades locais, podemos expor mais. Temos as nossas aldeias, as nossas vilas....temos a hipótese de mostrar o nosso trabalho nas grandes cidades....porque não expormos até em outros países? Não somos melhores nem piores, só precisamos de ter vontade e termos a ajuda necessária para podermos conquistar nossos sonhos e desejos.

16 - Por ultimo o que te apetece dizer para terminar esta entrevista?
Somos do tamanho dos nossos sonhos e todos temos direito a um pouco de Sol!!