Jornal Letras do Alva   •   Director: Luís António Silva   •   Ano: III

Tenreiro Patrocínio que encabeçou a lista independente JPNT e conseguiu ser a terceira força mais votada de Seia

Tenreiro Patrocínio que encabeçou a lista independente JPNT e conseguiu ser a terceira força mais votada de Seia

No passado dia 1 de Outubro o País autárquico foi a votos. Em Seia candidataram-se 5 listas, uma delas não partidária, independente, encabeçada por Tenreiro Patrocínio denominada Juntos Pela Nossa Terra – JPNT.
A candidatura JPNT - Juntos Pela Nossa Terra conseguiu 2.124 votos a que correspondeu 15,37 %, sendo a terceira força mais votada, elegendo um vereador. Ao nível de deputados para a Assembleia Municipal a candidatura independente JPNT alcançou 3 mandatos.

Porque se tratou de uma candidatura independente e porque é nosso interesse entrevistar todos os candidatos decidimos começar este ciclo de entrevistas com a lista que se apresentou a votos sem o símbolo de um partido, o que, foi um feito raro no nosso Concelho.

Interessa agora saber como vai ser a partir daqui.

1 – Tenreiro Patrocínio antes de mais parabéns pela forma arrojada como se apresentou às eleições autárquicas em Seia neste ano de 2017. A questão que se coloca desde já é: E AGORA? O que vai ser deste projeto JPNT?

TP - Permita-me que o cumprimente, bem como ao jornal letras do Alva e o felicite pela iniciativa de pós ato eleitoral dar voz às candidaturas que se apresentaram a sufrágio.
Quanto à questão que coloca, dir-lhe-ei que o movimento independente Juntos Pela Nossa Terra – JPNT, veio para ficar. Ao apresentarmos a nossa candidatura, estávamos conscientes das responsabilidades que daí nos advinham perante os eleitores e perante o nosso concelho de Seia. Apresentamo-nos ao eleitorado com um programa sério, exequível, que se tem sido sufragado maioritariamente permitiria que Seia tivesse um novo rumo, uma nova atitude e alcançasse o progresso e o desenvolvimento a que todos ansiamos e temos direito. Como sabe mais de 2.100 pessoas, correspondente a mais de 15% do eleitorado, confiaram em nós e obviamente não os vamos dececionar. O movimento Juntos Pela Nossa Terra – JPNT irá consolidar-se formalmente como movimento de cariz cívico e associativo e irá estar presente junto das pessoas em defesa do nosso concelho, defendendo aquilo que acreditamos ser melhor para o desenvolvimento da nossa terra e defendendo o programa com que nos apresentamos ao eleitorado. Podem todos os cidadãos, quer os que votaram em nós, quer os que o não fizeram, estar descansados e cientes de que o movimento JPNT estará sempre, sem medos, sem receios de nenhuma espécie, sem conformismos, com coragem, com verdade, com rigor e vontade, na primeira linha, em defesa do nosso concelho.

2 – Alguma vez pensou alcançar este resultado?
TP – Sabe, quando se avança para uma disputa eleitoral, temos que estar preparados para todos os cenários e quando se trata, como era o caso, de estarmos face a um cenário novo e diferente, a preparação para todos os cenários tem que ser ainda mais evidente.
Surgia pela primeira vez, como candidata à Câmara e Assembleia Municipal, uma candidatura fora dos quadros partidários e por isso independente e não sujeita a estratégias definidas pelos partidos e a reação dos eleitores era por isso uma incógnita. Veja que esta candidatura, além de ser a única que foi a votos por expressa vontade dos eleitores que tiveram que subscrever a apresentação da mesma, não tinha uma base eleitoral expressa anteriormente em votos que nos permitisse concretizar cenários seguros. Confiávamos nos eleitores, no seu bom senso e tínhamos esperança em conseguir um bom resultado, como efetivamente aconteceu.

3 – Acha que se tivesse tido listas independentes - JPNT nas freguesias teria alcançado ainda mais votos?
TP – Tenho a certeza que sim. Ter listas às juntas de freguesia e uniões de freguesias, seria ter em cada uma delas um âncora que permitiria uma maior divulgação da candidatura, do programa e projeto. Avançamos para a eleição cientes dessa situação e das suas consequências. Só por volta do mês de junho decidimos avançar com a candidatura e tomamos essa decisão porque entendíamos que o eleitorado merecia ter uma opção que fosse uma verdadeira e real alternativa à candidatura representada pela maioria que vinha exercendo o poder. Sabíamos que a três ou quatro meses das eleições, um grupo independente, sem logística, contando apenas com o trabalho de cada um daqueles que aceitou integrar o movimento, não tinha hipóteses de, tirado duas ou três situações, apresentar listas na generalidade das freguesias, sobretudo listas compostas pelos melhores. Fazer listas só por fazer, ainda que daí pudesse resultar algum conforto em termos de votos, não era e não foi para nós uma opção. Desde logo por uma questão de respeito pelas freguesias e uniões de freguesias, ou formávamos listas com as pessoas mais capazes e determinadas com programas devidamente ponderados e estruturados, ou então era melhor, mesmo que isso nos custasse votos, não concorrer e foi essa a nossa opção. Daqui a quatro anos o cenário será diferente. Com quatro anos pela frente, estaremos, como desejamos, com os melhores a concorrer às Juntas, em todas as freguesias e uniões de freguesia.

4 – Como se financiou a sua campanha?
TP – As despesas da campanha foram sendo pagas por nós candidatos que fomos adiantando o necessário para as mesmas. Parece que pelo resultado obtido conseguiremos aceder à subvenção estatal. Se tal acontecer será uma ajuda, senão, cabe-nos a nós candidatos suportar e pagar aquilo que contratamos, como aliás é a nossa obrigação. Seja como for se reparou a nossa campanha pautou-se pela contenção. Procurámos estar junto das pessoas e transmitir as nossas ideias e o nosso programa, de forma original e inovadora, sem com isso despendermos grandes quantias. Aliás acho mesmo que despender exorbitâncias em propaganda, como foi e é prática habitual de outras candidaturas, não fica bem e traduz-se até numa falta de respeito para com a sociedade e para com os trabalhadores.

5 – A vossa sede de campanha também foi algo inovadora? Quer-nos explicar a ideia?
TP – A nossa “sede de campanha”, era uma “sede” à nossa medida, à medida das nossas finanças e no local onde queremos estar, ou seja, em qualquer lado, em todos os locais junto das pessoas. Penso que numa campanha eleitoral autárquica, ter grandes sedes de campanha é mera ostentação. Numa campanha eleitoral e ainda mais numa campanha autárquica é junto das pessoas, na rua, em todos os locais que deve ser a nossa “sede de campanha”. É aí, entre os nossos, entre aqueles com quem nos identificamos, que se sente e alcança aquilo que todos pensamos, sentimos e nos faz falta. E foi esse sinal que com a nossa “sede de campanha” quisemos dar aos nossos cidadãos.

6 – A vossa lista conseguiu reunir muita juventude. É esse um dos propósitos do vosso projeto, porquê?
TP – Sem dúvida que sim. Por um lado o movimento Juntos Pela Nossa Terra – JPNT, veio para ficar e para isso precisa de jovens que num futuro mais ou menos próximo lhe deem, continuidade. Por outro lado entendemos que o futuro de qualquer localidade passa pela juventude. Um concelho, uma região ou mesmo um país que não apostar forte nos seus jovens não terá futuro. Seia não pode “dispensar”, como tem feito até aqui, os seus jovens. Ao poder político compete a obrigação de criar condições para que os nossos jovens aqui se fixem aproveitando as suas inegáveis capacidades. Seia, sem os seus jovens obviamente não terá futuro.

7 – Quais as maiores apreensões que devem preocupar o Concelho?
TP – Eu diria que a maior apreensão deve ser que a inércia e a falta de proatividade do executivo que vem gerindo os destinos da nossa terra e que foi reconduzido, se mantenha. É essa inércia e essa falta de proatividade que é a raíz e a essência de todas as dificuldades que vamos sentindo e enfrentamos. Veja a falta de investimento empresarial com a consequente criação de emprego, a falta de uma aposta no empreendedorismo jovem, a falta das devidas e necessárias acessibilidades, a falta de uma aposta séria no aproveitamento turístico, os problemas que já existem ou se anunciam em áreas como a saúde, a justiça e a educação, apenas se mantém uns e surgem outros pela inércia, falta de determinação e de coragem política de quem vem gerindo os destinos da nossa terra. Uma gestão acomodada que não dá ao nosso concelho o rumo que vemos ser dado a muitos outros concelhos vizinhos. Se outros conseguem desenvolver-se nós também temos que conseguir. A nível de competências, iniciativas e capacidades de trabalho os nossos vizinhos não são melhores que nós, portanto basta pensar um pouco para se concluir onde está o problema.

8 – O que deve ser feito para atrair mais investimentos para o Concelho? Há alguma fórmula mágica?
TP – Não é preciso nenhuma fórmula mágica. Proatividade, empenho, determinação e trabalho da autarquia, aliado à adoção de incentivos e a medidas de descriminação positivas, para os nossos empresários e para aqueles que aqui queiram vir investir, são o caminho para cativar investimento e investidores. Não há outro.

9 – Como se pode inverter o ciclo do despovoamento que vimos a ser sujeitos há décadas?
TP – Fazendo o que devia ter sido feito e não foi e que acabei de focar nas respostas anteriores.

10 – É intenção do projeto independente voltar a candidatar-se daqui a 4 anos? Se sim, o que vão fazer durante estes 4 anos até lá?
TP - Sim. Se tudo correr como temos programado, em 2021 iremos de novo a votos apresentando aquilo que acreditamos serem as propostas mais adequadas para o desenvolvimento e progresso da nossa terra. Até lá vamos desempenhar condignamente as funções para que fomos eleitos e vamos manter uma constante politica de proximidade com os nossos cidadãos, ouvindo-os, estando atentos, e exigindo do poder as medidas e atitudes que em cada momento entendermos adequadas, sempre com o único objetivo de ver o nosso concelho a trilhar o caminho do progresso e do desenvolvimento.

11 – Para os leitores seguirem as vossas iniciativas, as vossas preocupações e as vossas ações há algum site específico ou outro meio de comunicação para o efeito?
TP – Para já vamos manter aberta e ativa a página que o movimento tem no facebook. Mas mais importante que isso iremos ao longo dos quatro anos ter uma presença pessoal constante junto das pessoas. Obviamente que cada uma das iniciativas que temos já projetadas e outras que ao longo dos anos projetaremos terão a devida divulgação.

12 – Por último pedimos que deixe uma mensagem aos nossos leitores sobre o que podem esperar de Tenreiro Patrocínio na Vereação pela primeira vez na qualidade de independente e da sua equipa na Assembleia Municipal.
TP – O que podem esperar de Tenreiro Patrocínio, o que podem esperar dos demais eleitos, bem como de todos aqueles que de uma forma ou outra fazem parte e participam no movimento Juntos Pela Nossa Terra – JPNT, é trabalho, empenho, dedicação, compromisso e coragem na defesa intransigente do concelho de Seia e dos seus cidadãos.

11.10.2017
Muito obrigado pela disponibilidade
Luis Silva
Diretor do Jornal Letras do Alva